Conhece aquela pessoa sempre tende a puxar para o lado negativo? Você chega com uma ideia, quer começar um projeto, só quer compartilhar e a pessoa meio que pega e te coloca para baixo.
Acho que todo mundo conhece alguém que é o estraga-prazer. Em outra perspectiva: você já pensou ‘meu deus, não devia ter falado isso’, aí a pessoa olha para você e ri, como se estivesse gostando e compartilhando aquele momento.
É a mesma informação que você passa para pessoas diferentes, mas elas podem levar de formas completamente diferentes.
A percepção do indivíduo sobre o que acontece ao seu redor é uma percepção subjetiva, ela é fruto de um filtro para processar diferentes ‘inputs’ que existem na nossa vida.
Quando falamos de crise, tendemos a encarar isso com uma conotação negativa. O pensamento comum é que as pessoas vão perder emprego, que as empresas vão falir, que no geral as pessoas não vão ter dinheiro e a economia ruirá.
Só que se tentarmos olhar com outra perspectiva, se fizermos um exercício de ver oportunidades nos problemas e não problemas nas oportunidades, conseguimos perceber que, na verdade, as crises são os melhores momentos sobre os quais podemos comprar excelentes negócios, fazer excelentes investimentos a bons preços.
Sabemos que existe um pessimismo, que existe um fator emocional humano envolvido na precificação de ativos no mercado, ou seja, quando todo mundo está achando que não existe probabilidade nenhuma da economia melhorar, aí é que encontramos os melhores ativos aos melhores preços.
Quer entender esse fenômeno de precificação emocional do mercado? Quanto estaria disposto a pagar por um guarda-chuva se estivesse caindo o mundo de chuva, se não conseguisse nem cruzar a rua sem ficar completamente encharcado?
Provavelmente muito dinheiro, se precisasse. Agora, digamos que o dia está ensolarado, que está abafado, que sabe que tudo de que precisava era de um belo de um ar-condicionado, quanto é que custaria o guarda-chuva, agora? Muito pouco!
Você nem estaria procurando por aquilo. A lei da oferta e da procura, em mudanças circunstanciais, é regida com base na necessidade humana, nas perspectivas que veem no mercado, e é por isso que às vezes o pessimismo acontece de forma exagerada, e vemos empresas que são negociadas a um preço muito abaixo do que elas de fato valem em condições normais, por conta da crise.
Mas se está em crise eles não deveriam valer menos, mesmo? Precisamos entender que a Bolsa de Valores é negociada entre seres humanos, e seres humanos erram.
Com o pessimismo exacerbado de mercado, bons ativos acabam sendo negociados a pre¢os abaixo do que valem.
Numa simples análise de todas as crises que permearam a humanidade, como a crise de 1929, a crise do petróleo, a crise subprime, do governo Dilma e da pandemia, a Bolsa sempre se recuperou.
Vez e vez, as mesmas coisas aconteceram e os mesmos resultados vieram à tona. Não só as Bolsas de Valores chegaram a se equilibrar no mesmo nível de antes das crises, mas também foram muito além do que elas jamais estiveram.
É a diferença entre quem compra o guarda-chuva quando está chovendo versus a pessoa que compra no dia ensolarado pagando pouco para esperar um dia de chuva.
Acho que agora você já tem munição suficiente para entender que, quando alguém pergunta: qual é o melhor investimento? Saber que não existe uma resposta. e eu estou partindo do pressuposto de que você já assistiu diversos vídeos aqui no meu canal e me acompanha a um bom tempo.
Existem melhores investimentos para diferentes propósitos.
Agora vamos falar especificamente sobre como diversificar a carteira, para garantir que consiga cumprir os propósitos com os menores riscos e ainda podendo ter os maiores ganhos.
Existem três formas principais com que podemos diversificar o patrimônio: A PRIMEIRA DELAS é em tipo de ativo. Falamos, por exemplo, sobre renda fixa e renda variável, mas na própria Bolsa de Valores existem diferentes tipos de ativos: as ações, os fundos imobiliários, os ETFs; e ao diversificar o patrimônio, estamos garantindo não colocar todos os ovos numa cesta só.
A SEGUNDA FORMA de diversificar o patrimônio é em diferentes setores da economia.
Digamos um mundo, em que, ainda, não existia o WhatsApp, ou alternativa para as pessoas se comunicarem. Vamos dizer que nesse mundo utópico, surja o WhatsApp. A receita da empresa vinha com o pagamento de SMS, ou ligações.
O que acontece com a receita quando chega o WhatsApp? Ela basicamente vai a zero; uma fonte enorme de receita (das empresas que eram negociadas na Bolsa) deixou de existir por causa de um agente externo e não se esperava que iria acontecer.
Se você colocou todo seu dinheiro numa empresa de telefonia, por causa da falta de diversificação, acabou sofrendo um risco não sistêmico.
RISCO NÃO SISTÊMICO: É aquele risco reservado para apenas uma empresa, ou para um setor específico da economia. Você corre esse risco quando tem total opção de investir em vários ativos que iriam mitigar esses riscos.
Você preferiu só investir nas empresas de telefonia porque era muito fã delas. Agora, se diversificasse o patrimônio também em empresas de tecnologia, quem sabe compraria uma empresa como o Facebook, que hoje é detentora do WhatsApp, e por isso são ações que iriam se valorizar, em detrimento das empresas de telefonia.
Você percebeu o que aconteceu? A diversificação de carteira existe para o risco de alguma empresa inserida em determinado setor, ou o setor ficar obsoleto; as outras empresas, nos outros setores, acabam subindo e compensando as perdas daquele setor que se deu mal. Pode acontecer de a crise bater em todas as empresas na economia brasileira? É verdade, e este se chama risco sistêmico.
RISCO SISTÊMICO: o risco de acontecer alguma crise, uma recessão econômica, algo sobre o qual não temos controle e vai ter um baque na Bolsa como um todo.
É por isso que existe mais de uma forma de diversificar a carteira para conseguir mitigar o risco sistêmico.
Uma forma é a diversificação em moeda. Existe uma correlação inversamente proporcional entre a desvalorização da nossa Bolsa e a valorização do dólar. Parece que quase toda vez que a Bolsa de Valores cai o dólar sobe e vice-versa.
Para a gente conseguir diminuir essa oscilação e mitigar os riscos, ter parte do patrimônio investido em dólar, é uma excelente forma de, não só ter um colchão de segurança sob o nosso patrimônio, mas também de investir nas empresas do país, com a maior cultura de empreendedorismo do mundo, e que tem as maiores facilidades de empreendedorismo.
Como você investe em dólar? Existem duas formas: uma delas é investir diretamente lá fora com a abertura de conta em uma corretora de valores norte-americana e comprando direto ações estrangeiras.
a outra forma é com BDRs (Brazilian Depositry Receits). São recibos emitidos pelas empresas estrangeiras para serem negociados no Brasil acompanhando toda a flutuação de preços que essas empresas têm lá fora, inclusive a flutuação cambial.
O benefício dos BDRs é que eles são negociados na nossa própria Bolsa de Valores. Quais são as limitações? É que existem menos BDRs do que existem possibilidades de investimento caso você vá diretamente investir no mercado de capitais norte-americano.
POR ÚLTIMO, mais uma forma de diversificar a nossa carteira: com o número de ativos.
Qual você acha que é a melhor forma de diversificarmos? Com uma carteira enxuta, com poucos ativos somente, mais diversificada em setores, em moeda, ou uma carteira repleta de ativos diferentes? Temos grandes referências no mercado de capitais brasileiro e estrangeiro que têm dezenas, senão centenas ou milhares de ativos dentro de uma carteira. Só que não deveríamos nos dar ao luxo de expor o patrimônio à maior quantidade de ativos possível, simplesmente, por motivos de diversificação.
O que você pode fazer, por outro lado, é ter um número de ativos, na carteira, que seja capaz de acompanhar com a consistência e recorrência, que vá ler os relatórios das empresas, que saiba o que está acontecendo.
Porque assim, vai ter bala para movimentar a carteira, porque é enxuta, porque você sabe que existe um limite de tudo que pode acompanhar.
Se uma carteira é gigantesca, com milhares de ativos, é prepotência nossa, pensar que sejamos tão capacitados quanto um gestor de um fundo bilionário e, por isso, precisa ter milhares e milhares de ativos.
Acaba sendo meio incomparável a realidade de um investidor que tem uma equipe de, às vezes dezenas, ou centenas de pessoas com a de um investidor individual.
O investidor individual tem recursos limitados de tempo e dinheiro para conseguir analisar os ativos que irão compor sua carteira, enquanto um gestor não só tem uma equipe gigantesca, como tem muito dinheiro para remunerar muito bem, para fazerem um bom trabalho na gestão da carteira.
Porque a diversificação é importante?
Um exemplo, na prática, de como diversificação é importante.
Vamos pegar o exemplo de um cara chamado breno
A primeira ação que ele comprou (e sobre a qual ele colocou muito dinheiro investindo), foi uma que na época chamava-se Senior Solutions.
Ele pegou esse dinheiro o dinheiro que o pa dele i tinha deixado e coloui logo uns R$10.000,00. A empresa, depois de uma semana, subiu um pouquinho, e ele ficou feliz para caramba.
Pensou que tinha acertado. Só que passou outra semana e ela se desvalorizou mais de 10% do valor inicial. aí então ele começou a pensar por ganância, por imediatismo, por achar que tinha feito um único aporte acertado, que iria ganhar mais dinheiro do que se tivesse diversificado.
E isso deixou o ele com dor no peito, com angústia, com frustração, de não ter simplesmente ouvido a voz da razão e diversificado a carteira logo de cara.
Eventualmente ela subiu de novo, mas assim que fiquei no zero a zero, vendi tudo e diversifiquei do jeito que achava que era necessário, para não precisar mais sentir a preocupação de que tinha feito algo por ingenuidade.
A importância de termos, dentro da nossa carteira, ativos descorrelacionados entre si, é irrefutável.
ATIVOS DESCORRELACIONADOS – são aqueles que não tem correlação nenhuma com quando um sobe, o outro cai, ou quando um sobe outro sobe também, enfim, eles simplesmente andam separados em diferentes vertentes.
Se nos dispusermos a diversificar a carteira em tipos de ativos, em setores diferentes da economia, em moeda, em número, vamos mitigar os riscos sobre o patrimônio e aumentar as chances de rentabilidade no longo prazo.
Não faz sentido, simplesmente, apreciarmos muito o setor industrial e só termos empresas que fabricam.
Ou então, não faz sentido termos somente empresa de banco, porque sabemos que se acontecer alguma coisa na economia, que ataca o setor ou aquele tipo de ativo e empresa, vai tomar uma proporção grande do patrimônio e não vamos ter previsibilidade do quando vai retomar, e pode ser até que nunca retome.
Thiago Alves é criador do nipoinvestidor, sua trajetória no mundo das finanças começou ainda em 2007 quando comprou seu primeiro lote de ações. A iniciativa veio em uma aula do colégio onde teve seu primeiro contato com o mercado. Engenheiro Mecânico de formação, e com certa afinidade com números e planilhas, assume uma carreira paralela ensinando brasileiros que moram no Japão a investir e a multiplicar seu capital no Japão.